Carta da Rede de Educação Cidadã - RECID
“Sentir, querer novos sonhos
E outras experiências.
Sensibilizar as vontades
E suas efervescências.
Ser sujeitos da historia
Cultivar nossa existência”.
Izabel Silva – Educadora RECID/SE
A vivencia da homossexualidade em uma cultura homofóbica como a nossa, é, não raro, penosa e cheia de sofrimentos, que os heterossexuais não conhecemos, mas podemos compreender e se indignar perante o sofrimento de qualquer ser humano.
Paulo Freire em seu vasto pensamento engajado já nos indicava que para construirmos um mundo verdadeiramente humano era fundamental reconhecer e desconstruir a desumanização na qual está instalada na sociedade atual, sendo que a todo momento assistimos a atos desumanos de deturpação abrupta de nossa liberdade, entende-se aqui liberdade como livre opção para nos construir na perspectiva do que venha a ser melhor pra mim e me faça feliz ou satisfeito levando em consideração o bem comum a todos, pois aquilo que é bom pra mim não deve ser ruim para os outrem ou de forma inversa. A desumanização nos atingi como agressão a todo momento: quando restringem e nos negam nossos direitos , quando assistimos televisão, quando estranhamos nos outros a condição humana, quando não nos proporcionam o mínimo que seja material, psicológico, moral ou político para constituirmos uma vida digna.
Alias, Martin Luther King dizia que: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. E hoje acreditamos que nossa dignidade reside sobre tudo no ato de não nos calarmos perante as injustiças, no ato de lutar por aquilo que é justo. Nisso afirmamos que Lohanna vivencia sua dignidade cotidianamente, pois não se deixa submeter pelas injustiças. Ela, certa vez, confessou que está habituada a todo momento a ser agredida, porem se recusa a se conformar e a se resignar simplesmente, pois quem sente a intolerância é ela e não quem a discrimina.
Contudo é triste saber que na nossa sociedade a descriminação vem de todos os lados. No nefasto sábado do dia cinco de junho, houve o total desrespeito ao artigo primeiro(Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos), segundo (Toda pessoa deve possuir os mesmos direitos e liberdades, sem qualquer distinção) e terceiro (Toda pessoa tem direito à Vida, à Liberdade e a Segurança pessoal) dos Direitos Humanos, além da agressão física e verbal e da violência institucional. Salvo engano, vivemos numa pseudo-democracia, pois as instituições do Estado que deveria garantir nossos direitos são as primeiras a desrespeitá-los e contribuir para manter a segregação e a intolerância as diferença .
É cruel viver numa sociedade que se diz democrática mas que ao mesmo tempo seus cidadãos não reconhecer a liberdade alheia, ou melhor, se senti ofendido e parti pra os diferentes tipos de agressão, e que a diferença do outro nos cause horror e ódio por não compreender a nossa própria diferença já que ela é uma característica inerente ao ser humano. Reconhecer a liberdade do outro é reconhecer a incompletude do outro e a nossa, pois todos somos incompletos é por isso que nossa vida é uma construção histórica, é sendo incompleto que me faço como sujeito da forma que é melhor.
O Projeto Político Pedagógico da RECID traz em consideração a construção do Projeto Popular para o Brasil, e ressaltamos na segunda característica desse Projeto a importância do: “Compromisso com as diferenças e diversidades culturais, religiosas, pluriétnicas, sexuais, de gênero, enquanto construção e fortalecimento da novas relações humanas”. Não se trata apenas de tolerar e respeitar a diversidade, mas, de compreendê-la como necessária em um processo de libertação e, portanto, vivenciá-la e garantir que exista. Essa é nossa diretriz.
Cara Adriana Lohanna, sentimos que é tempo de sentir os sonhos de querer-los ferrenhamente; é tempo de outras experiências e rescindir a violência; é tempo de sensibilizar a vontade; é tempo de cultivar nossa existência na luta; é tempo de sermos sujeitos da nossa história custe duros sofrimentos. É a hora dos sujeitos levantarem sua voz romperem com o silencio que se assemelhar a covardia e propor outro mundo mais justo e humano, como dizia Paulo Freire: “O mundo não é. Ela está sendo”.
Educadores da Rede de Educação Cidadã de Sergipe.

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